AMCO e os seus parceiros lançam um projeto histórico de conservação marinha transfronteiriça nos Camarões e na Guiné Equatorial
A Organização Africana para a Conservação Marinha (AMCO) e os seus parceiros lançaram oficialmente uma iniciativa com a duração de quatro anos destinada a reforçar a conservação marinha na zona costeira transfronteiriça partilhada entre os Camarões e a Guiné Equatorial. Este projeto intitula-se «Projeto de Apoio à Conservação e Adaptação Marinha Participativa para os Oceanos — CAMPO» (Pro-CAMPO).
Financiado pela União Europeia, o projeto foi lançado a 8 de junho de 2026 em Campo, nos Camarões, e posteriormente a 10 de junho de 2026 em Río Campo, na Guiné Equatorial. É implementado pela AMCO, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), pela TUBE AWU e pela Associação Nacional para a Defesa e Gestão do Ambiente (ANDEGE).
Esta iniciativa visa lançar as bases para a conservação a longo prazo do capital natural e da biodiversidade da paisagem marinha e costeira de Campo, reforçando a gestão do Parque Nacional Marinho de Manyange na Elombo-Campo, nos Camarões, e do Parque Nacional de Río Campo, na Guiné Equatorial. Permitirá igualmente reforçar a cooperação transfronteiriça, melhorar a resiliência das comunidades locais e indígenas face às alterações climáticas e desenvolver as capacidades das instituições responsáveis pela gestão destas áreas protegidas.
Em que medida isto é importante para os golfinhos-corcundas do Atlântico? A presença desta espécie foi confirmada nas águas costeiras do sul dos Camarões, sendo provável que também esteja presente na Guiné Equatorial. No entanto, os esforços de investigação específicos têm sido limitados, sendo urgente dispor de mais dados para compreender melhor se estes golfinhos ainda se encontram presentes e, caso assim seja, quais as medidas necessárias para os proteger. Este projeto proporcionará financiamento e apoio indispensáveis aos gestores das AMP, bem como às comunidades que partilham as águas costeiras e os recursos com estes golfinhos e que poderão sofrer os efeitos negativos de práticas de pesca atualmente não sustentáveis.

Mapas do Parque Nacional Marinho de Manyange na Elombo-Campo, nos Camarões, e do Parque Nacional do Rio Campo, na Guiné Equatorial, respetivamente.
Durante o lançamento oficial em Río Campo, o Dr. Aristide Takoukam Kamla, Presidente e Fundador da AMCO, sublinhou a importância de uma cooperação além-fronteiras para proteger um oceano partilhado.
«As ondas não pedem visto e as espécies marinhas não reconhecem fronteiras. »
Para a União Europeia, o Pro-CAMPO representa um investimento tanto para a natureza como para as populações.
«A proteção dos oceanos é uma prioridade para a União Europeia, pois o oceano está no cerne da resiliência climática, da segurança alimentar e dos meios de subsistência de milhões de pessoas», declarou Raymond Lataste, representante da União Europeia.

As partes interessadas presentes nos eventos de lançamento organizados, respetivamente, nos Camarões e na Guiné Equatorial
A urgência deste projeto reflete-se na realidade das comunidades locais. Ursula Molende Matomba, uma comerciante de peixe de 67 anos em Río Campo, testemunha a crescente escassez dos recursos haliêuticos.
«Vendo peixe há quase 50 anos. Hoje em dia, torna-se cada vez mais difícil encontrar peixe. Na maioria das vezes, os pescadores regressam com as suas pirogas vazias.»
Em Campo, Epengo Mbipite, presidente de uma associação de pescadores artesanais, enfrenta as mesmas dificuldades.
«Acontece que os arrastões industriais destroem as nossas redes, mesmo quando não pescamos nas zonas que lhes estão reservadas.»
Para Ndounteng Ndjamo Rodric Xavier, coordenador da TUBE AWU, são precisamente estes desafios que o Projeto de Apoio à Conservação e à Adaptação Marinha Participativa para os Oceanos — CAMPO (Pro-CAMPO) pretende enfrentar. Graças à sua longa experiência em torno do Parque Nacional Marinho de Manyange na Elombo-Campo, a TUBE AWU acompanha as comunidades costeiras na melhoria dos seus meios de subsistência, contribuindo simultaneamente para a conservação dos ecossistemas marinhos. No âmbito do Pro-CAMPO, a organização continuará a promover atividades geradoras de rendimentos sustentáveis, com o objetivo de reduzir a pressão exercida sobre os recursos marinhos.

Membros das comunidades dos Camarões e da Guiné Equatorial celebraram o lançamento do projeto com danças tradicionais cheias de vida.
No início da sua implementação, o Dr. Aristide afirmou que o Pro-CAMPO irá trabalhar em conjunto com os governos, as organizações de conservação e as comunidades locais, com o objetivo de restaurar os ecossistemas costeiros, reforçar as áreas marinhas protegidas e promover meios de subsistência sustentáveis. Mais importante ainda, o projeto pretende demonstrar que a proteção de um oceano partilhado exige muito mais do que ecossistemas saudáveis: assenta na confiança, na cooperação e num compromisso comum de ambos os países para preservar, para as gerações presentes e futuras, uma das paisagens marinhas mais valiosas da África Central.