A missão de 58 horas para salvar uma baleia-jubarte em Benguela, Angola
No dia 22 de setembro de 2025, a Praia da Caxiva tornou-se o palco de uma operação de resgate excecional. Uma baleia-jubarte com cerca de 14 metros de comprimento e um peso estimado entre 30 e 35 toneladas encontrava-se encalhada numa zona particularmente complexa — o ponto onde um rio desagua no mar. Totalmente fora de água e presa numa grande rede de pesca, a sobrevivência do animal dependia de uma intervenção rápida e coordenada.
A operação foi coordenada pelo Projeto Kitabanga / Wambi, sob a liderança de Edna Leite, com o apoio do Gabinete Provincial do Ambiente, do Porto do Lobito, da Marinha de Angola, das equipas de socorro dos Bombeiros do Lobito e de Catumbela, da Polícia de Catumbela, da empresa Omatapalo (que disponibilizou equipamento pesado, incluindo uma máquina rotativa), bem como de pescadores locais, guardiões de tartarugas, voluntários da comunidade, amigos e membros do projeto.

A baleia encalhada estava indefesa, parcialmente enredada numa rede de pesca.
Logo após a descoberta da baleia, parceiros do CCAHD ligados ao Projeto Wambi entraram em contacto com o Secretário-Geral do CCAHD, que prontamente os colocou em ligação com o Coordenador de Encalhes da Comissão Internacional da Baleia (IWC) e com membros do Painel de Especialistas em Encalhes da IWC. Estes especialistas prestaram apoio técnico contínuo à equipa no terreno em Angola, fornecendo orientações em tempo real através de contactos constantes por WhatsApp, partilha de vídeos, fotografias e recomendações de boas práticas.
As principais ações realizadas durante a operação incluíram a segurança da área e a avaliação do estado da baleia, a coordenação da remoção da rede de pesca, a estabilização do animal ao longo de toda a intervenção e, após a libertação, o seu encaminhamento gradual para águas mais profundas.

Uma escavadora foi utilizada como parte dos esforços coordenados de resgate da baleia.
Após 58 horas intensas e emocionalmente exigentes, a baleia foi devolvida com sucesso ao oceano. Para além de salvar o animal, a operação reforçou a colaboração entre autoridades locais, organizações de conservação e membros da comunidade, e gerou aprendizagens valiosas para melhorar futuras respostas a encalhes. Com base nesta experiência, o Projeto Wambi propôs a realização de um workshop com a Autoridade Portuária do Lobito e as equipas dos bombeiros, com o objetivo de reforçar a preparação, os protocolos e a capacidade técnica para responder a situações semelhantes.
Segundo a coordenadora da missão, Edna Leite, a operação foi extremamente exigente e emotiva, e o seu sucesso demonstrou a importância da formação contínua e da prontidão operacional. No seu conjunto, o resgate evidenciou o papel crucial da coordenação rápida, do apoio institucional e do envolvimento comunitário na resposta eficaz a encalhes de mamíferos marinhos.